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A Verdade Sobre as Teorias da Conspiração: Quando São Reais?

25 de abril de 20265 min de leitura
A Verdade Sobre as Teorias da Conspiração: Quando São Reais?

Em 8 de março de 1971, oito ativistas invadiram um escritório quase vazio do FBI na cidade de Media, Pensilvânia, durante a transmissão da luta entre Muhammad Ali e Joe Frazier. Roubaram cerca de mil documentos. Entre eles, uma única pasta marcada com um nome até então desconhecido do público: COINTELPRO. As folhas vazadas para o jornalista Betty Medsger, do Washington Post, provaram o que ativistas civis vinham denunciando há anos e eram chamados de paranoicos por dizê-lo: o FBI mantinha um programa secreto para infiltrar, desacreditar e destruir movimentos políticos americanos.

A história das teorias da conspiração é, em parte, a história de paranoicos que estavam certos. Nem toda teoria é verdadeira — a maioria absoluta é absurda — mas a recusa governamental em reconhecer programas reais de espionagem, manipulação e experimentação criou o solo fértil onde toda paranoia floresce. Distinguir o factual do fantástico exige examinar os casos em que documentos desclassificados confirmaram, anos ou décadas depois, que a conspiração era real.

COINTELPRO: a guerra suja interna do FBI

Operacional entre 1956 e 1971 sob ordem direta de J. Edgar Hoover, o COINTELPRO (Counter Intelligence Program) tinha como alvos declarados, em documentos internos, "neutralizar" o Partido Comunista, a Ku Klux Klan, o movimento dos direitos civis, organizações estudantis contra a guerra do Vietnã, o American Indian Movement e o Partido dos Panteras Negras. "Neutralizar" incluía fabricar correspondência falsa para destruir casamentos, instalar grampos ilegais, plantar evidências e — em pelo menos um caso documentado — facilitar assassinatos.

Em 4 de dezembro de 1969, a polícia de Chicago invadiu o apartamento do líder dos Panteras Negras Fred Hampton, de 21 anos, e o matou com um tiro à queima-roupa enquanto ele dormia. Hampton estava drogado: o informante do FBI William O'Neal havia colocado secobarbital em sua bebida horas antes. A planta detalhada do apartamento, com indicação da cama de Hampton, foi entregue à polícia pelo FBI. Um processo civil de 1982 obrigou os governos federal e municipal a pagarem 1,85 milhão de dólares à família.

O Comitê Church do Senado, em 1976, classificou as ações como "completamente fora dos padrões de uma sociedade democrática". Hoover já havia morrido em 1972; nenhum agente foi criminalmente processado.

Operação Northwoods: a guerra que quase aconteceu

Em 13 de março de 1962, o general Lyman Lemnitzer, presidente do Estado-Maior Conjunto, entregou ao secretário de Defesa Robert McNamara um documento de 13 páginas intitulado Justification for U.S. Military Intervention in Cuba. O texto propunha, com sangue-frio burocrático, que os Estados Unidos cometessem atos terroristas em solo americano e os atribuíssem a Fidel Castro para justificar uma invasão.

Entre as sugestões: explodir um navio americano na Baía de Guantánamo ("executando funerais para vítimas falsas pode ajudar a gerar uma onda nacional de indignação"), simular o abate de um avião comercial cheio de estudantes universitários, lançar bombas em Washington e Miami. O presidente John F. Kennedy rejeitou o plano e demitiu Lemnitzer poucos meses depois. O documento foi desclassificado em 1997 pela Junta de Revisão de Registros de Assassinato e está disponível nos Arquivos Nacionais.

MK-Ultra e o longo silêncio

Por mais de duas décadas, qualquer americano que afirmasse que a CIA dosava cidadãos com LSD em festas, bordéis e hospitais era tratado como caso psiquiátrico. Em 1975, a Comissão Rockefeller e o Comitê Church confirmaram tudo. O programa MK-Ultra, autorizado por Allen Dulles em 1953, financiou experimentos em pelo menos 80 instituições, sem consentimento, em busca de técnicas de controle mental para a Guerra Fria.

O bioquímico Frank Olson morreu defenestrado em 1953 nove dias depois de ser dosado clandestinamente. Pacientes do Allan Memorial Institute em Montreal foram induzidos a coma e bombardeados com fitas em loop por meses. Em 1977, em audiência no Senado, descobriu-se que o diretor da CIA Richard Helms ordenara a destruição de praticamente todos os arquivos em 1973. Os 20 mil documentos sobreviventes só existiam porque haviam sido catalogados na pasta financeira errada.

Tuskegee, Gulf of Tonkin e a engenharia da mentira

O Estudo Tuskegee da Sífilis (1932-1972) negou tratamento a 399 homens negros do Alabama por 40 anos para observar a evolução natural da doença, mesmo após a penicilina virar padrão em 1947. O caso só veio a público quando a jornalista Jean Heller, da Associated Press, publicou a história em julho de 1972. Vinte e oito vítimas haviam morrido de sífilis direta, 100 de complicações, 40 esposas foram contagiadas e 19 crianças nasceram com sífilis congênita.

Em 4 de agosto de 1964, o presidente Lyndon Johnson anunciou em rede nacional que destróieres americanos haviam sido atacados por torpedeiros norte-vietnamitas no Golfo de Tonkin. O Congresso aprovou a Resolução do Golfo de Tonkin, abrindo caminho para a escalada da guerra do Vietnã. Documentos da NSA desclassificados em 2005, analisados pelo historiador Robert Hanyok, confirmaram que o segundo "ataque" — o usado para justificar a resolução — nunca aconteceu. Os sinais de radar haviam sido erros de equipamento amplificados por superiores que sabiam.

Os Pentagon Papers, vazados por Daniel Ellsberg ao New York Times em junho de 1971, revelaram que quatro presidentes consecutivos — Truman, Eisenhower, Kennedy, Johnson — haviam mentido sistematicamente ao público sobre o envolvimento americano no Sudeste Asiático.

O legado: por que distinguir importa

O psicólogo Karen Douglas, da Universidade de Kent, lidera há mais de uma década pesquisas sobre o pensamento conspiratório. Suas conclusões são desconfortáveis: pessoas que acreditam em uma teoria conspiratória tendem a acreditar em outras, mesmo contraditórias entre si. Em um estudo de 2012, voluntários que afirmaram acreditar que Lady Diana foi assassinada também tendiam a acreditar que ela forjou a própria morte. A coerência interna importa menos que a desconfiança subjacente da autoridade.

O paradoxo é que essa desconfiança nasce em parte de fundamentos reais. COINTELPRO, MK-Ultra, Tuskegee, Gulf of Tonkin, Northwoods, os experimentos com sífilis na Guatemala (1946-1948), o programa de vigilância em massa PRISM revelado por Edward Snowden em 2013 — todos foram, em algum momento, considerados delírios de paranoicos. Todos foram, depois, confirmados por documentos oficiais.

O risco do nosso tempo é o oposto do anterior. No século XX, governos contavam com o silêncio para enterrar conspirações reais. No século XXI, plataformas digitais aceleram a circulação de mil teorias falsas para cada uma verdadeira — diluindo a capacidade pública de identificar quando o cidadão paranoico, mais uma vez, está certo. Quem assume que toda conspiração é mito ignora a história. Quem assume que toda conspiração é real ignora a estatística. Entre essas duas preguiças intelectuais resta o trabalho mais difícil: o de ler documentos, seguir fontes, e aceitar que a realidade às vezes é mais sombria do que a ficção que tentamos refutar.

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