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Os Sons Estranhos Que Ninguém Consegue Explicar

25 de abril de 20266 min de leitura
Os Sons Estranhos Que Ninguém Consegue Explicar

Em 19 de julho de 1997, a 1.750 quilômetros da costa do Chile, um conjunto de hidrofones da NOAA — a agência oceanográfica americana, originalmente instalado pela Marinha dos EUA durante a Guerra Fria para detectar submarinos soviéticos — captou um som que ninguém estava preparado para ouvir. Era ultragrave, lento, com 5 minutos e 18 segundos de duração. Cresceu, atingiu um pico, e desapareceu. A frequência era impossível: alta demais para ser geológica, baixa demais para ser qualquer animal conhecido. Os técnicos batizaram o som de The Bloop.

O Bloop foi captado simultaneamente por sensores a 5.000 quilômetros de distância — o que significa que sua fonte, fosse o que fosse, era mais alta que a baleia-azul, o animal mais barulhento do planeta. Por dezesseis anos, a NOAA não soube explicar. Em 2012, atribuiu o som ao colapso de um icequake antártico. Mas há cientistas que discordam, e há sons piores ainda — sons que continuam sem qualquer explicação satisfatória em 2026.

Os fenômenos sonoros que rompem a normalidade

O Hum de Taos, no Novo México, é talvez o caso mais antigo. Desde os anos 1990, cerca de 2% dos moradores da cidade relatam ouvir um zumbido grave, contínuo, semelhante ao motor de um caminhão a diesel parado a um quarteirão de distância. Não cessa. Não muda de direção. Microfones de alta sensibilidade não captam nada. Em 1993, o Congresso americano financiou um estudo formal pela Universidade do Novo México, conduzido pelo físico Joe Mullins. A conclusão, publicada em 1995: o som existe para quem o ouve, mas não tem fonte detectável no ambiente.

Existem hoje centenas de "Hums" mapeados no mundo: o de Bristol (Inglaterra), o de Windsor (Canadá), o de Auckland (Nova Zelândia), o de Largs (Escócia). O Windsor Hum teve uma resolução parcial em 2011, atribuído a uma siderúrgica na Ilha de Zug, do lado americano da fronteira; mas mesmo após mudanças industriais, parte dos moradores continua ouvindo. O Hum de Bristol, por sua vez, foi gravado por uma equipe da BBC em 2016 — mas só por instrumentos abaixo do nível de audição humana, o que apenas aprofundou o mistério: por que algumas pessoas ouvem o que máquinas só captam abaixo do limiar?

Outro som perturbador é o UVB-76, conhecido como The Buzzer, uma estação de rádio russa de ondas curtas que transmite, sem interrupção desde 1973, um zumbido mecânico monótono em 4625 kHz. Esporadicamente — uma ou duas vezes por ano —, o zumbido para e uma voz humana, sempre masculina, sempre russa, recita uma sequência de números e palavras-código sem sentido aparente: "MDZHB, MDZHB, 81 26 T-R-A-S-H-K-I 7 4 5 5 9 2 1 7". Radioamadores em todo o mundo monitoram a estação 24 horas por dia. Ninguém sabe seu propósito. A teoria mais aceita é que seja parte do sistema russo de Dead Hand — um mecanismo de retaliação nuclear automática, que dispararia se o sinal cessasse.

Em 5 de agosto de 2011, durante um episódio incomum, o UVB-76 transmitiu trechos de O Lago dos Cisnes de Tchaikovsky por 47 segundos antes de retornar ao zumbido. Em outras ocasiões, captou-se o que parecia ser uma conversa telefônica em russo, gravada por engano: alguém pedia café. Foi a primeira vez em quatro décadas que se ouviu uma voz humana espontânea através do canal.

O que a ciência consegue (e não consegue) explicar

A acústica oceânica explica boa parte dos sons submarinos misteriosos. O Upsweep, captado pela NOAA desde 1991, foi atribuído a vulcanismo subaquático no Pacífico. O Julia, de março de 1999, à fricção de um iceberg na Antártica. O Slow Down, em maio de 1997, possivelmente a outra colisão glacial. Mas o catálogo de sons "resolvidos" depende de modelos teóricos que nunca foram diretamente verificados — ninguém estava lá para filmar o iceberg colapsando.

Para os Hums terrestres, as hipóteses se dividem em três grandes famílias. A primeira, defendida pelo audiologista britânico David Baguley, da Universidade de Cambridge, atribui o fenômeno à otoacoústica espontânea: o ouvido interno gera, em algumas pessoas, vibrações próprias que o cérebro interpreta como sons externos. A segunda hipótese, do geofísico americano David Deming, sugere que se trata de transmissão militar de baixíssima frequência — sistemas como o HAARP, no Alasca, operam em faixas que algumas pessoas conseguiriam captar via condução óssea. A terceira, mais especulativa, vem do trabalho do físico francês Thierry Massin: as infrassom geológicas produzidas por correntes magmáticas profundas, em frequências entre 0,1 e 20 Hz, abaixo do limiar normal de audição mas dentro do espectro percebido por uma minoria neurologicamente sensível.

O problema é que nenhuma das três explica todos os Hums. E o problema piora quando se descobre que alguns sons inexplicáveis matam. Em 2016, dezenas de funcionários da embaixada americana em Havana começaram a relatar sintomas neurológicos súbitos: dores de cabeça intensas, vertigem, perda auditiva, lesões cerebrais visíveis em ressonância magnética. Diziam ter ouvido um som agudo, metálico, vindo de uma direção específica. Em 2018, o JAMA publicou um estudo da Universidade da Pensilvânia confirmando lesões objetivas. O caso, batizado de Síndrome de Havana, repetiu-se em embaixadas na China, na Rússia, em Viena. Em 2026, ainda não há consenso sobre a causa: ondas de micro-ondas, ultrassom direcional, ou algo que nem temos vocabulário para descrever.

O neurologista Robert Bartholomew, da Universidade de Auckland, apresentou em 2019 a hipótese contrária: a Síndrome de Havana seria uma doença psicogênica de massa, espalhada por sugestão. Outros pesquisadores rejeitam: lesões cerebrais não se inventam por sugestão.

Outros sons que merecem atenção

O Skyquake, ou "trovão sem nuvens", é um estrondo enorme captado em céus límpidos. Em 19 de outubro de 2008, no condado de Lake, na Flórida, sismógrafos registraram o estrondo, mas nenhum sismo terrestre. Aviões militares estavam ausentes. Há registros similares ao longo do rio Ganges, na Índia, chamados localmente de Barisal Guns desde o século XIX, descritos pela primeira vez pelo geólogo britânico G.B. Scott em 1890.

O chamado das pedras de Skagit, em Washington, é outro caso desconcertante. Em ravinas específicas, ao entardecer, as pedras emitem um chiado audível atribuído a contração térmica — mas o som tem padrões rítmicos que lembram batidas de tambor. Antropólogos da tribo Skagit, que habita a região há séculos, dizem apenas: "As pedras conversam quando o sol vai embora."

E há o caso obscuro mas bem documentado do som do Pacífico Norte de janeiro de 1991: um pulso ultragrave de 30 segundos captado por uma rede oceanográfica japonesa. Foi atribuído inicialmente a um teste nuclear submarino. Depois, a um meteorito. Depois, a um terremoto. Em 2026, a NOAA classifica oficialmente o caso como "sem explicação aceita".

O que isso revela sobre nós

A audição é o sentido mais antigo. Antes mesmo de termos olhos complexos, ouvíamos. Por isso, talvez, sons inexplicáveis sejam tão profundamente perturbadores: tocam num medo evolutivo de predadores que não vemos, de vizinhos invisíveis, de algo na escuridão que respira no ritmo errado.

O Bloop, o Hum de Taos, o UVB-76, a Síndrome de Havana — são todos sintomas de que o mundo é maior que nossa capacidade de catalogá-lo. Construímos hidrofones para escutar submarinos e ouvimos algo que nenhum animal conhecido poderia produzir. Construímos rádios para ouvir o cosmos e captamos zumbidos vindos de campos siberianos. Construímos embaixadas e dentro delas alguém — algo — começa a queimar cérebros.

Talvez a parte mais inquietante seja esta: os sons continuam. O Hum de Taos não cessou. O UVB-76 ainda zumbe agora, enquanto você lê esta frase. Em algum lugar do Pacífico, um hidrofone esquecido está captando algo que ninguém ainda escutou. O silêncio é uma ficção. O que existe, sempre, é o que ainda não deciframos.

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