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Roanoke: A Colônia Desaparecida da América

25 de abril de 20267 min de leitura
Roanoke: A Colônia Desaparecida da América

Em 18 de agosto de 1590, o pintor e governador inglês John White desembarcou na ilha de Roanoke, na costa da atual Carolina do Norte, depois de três anos de viagem interrompida pela guerra contra a Armada Espanhola. Aniversário de sua neta Virginia Dare, primeira inglesa nascida no Novo Mundo, ele esperava encontrar a filha, o genro e os 115 colonos que havia deixado para trás em 1587. Em vez disso, encontrou a paliçada do forte derrubada, as casas desmontadas com cuidado e — gravadas a faca em um poste central — sete letras que entrariam para a história como o maior enigma da América colonial: CROATOAN. Em uma árvore próxima, em letras menores: "CRO". Não havia cruz de socorro, sinal combinado em caso de ataque. Não havia sangue. Não havia corpos. Apenas o silêncio do estuário e as pegadas do vento.

A colônia de Roanoke foi a primeira tentativa séria da Inglaterra de fincar bandeira na América do Norte. Patrocinada por Sir Walter Raleigh, sob carta concedida pela Rainha Elizabeth I em 1584, integrava a estratégia inglesa de competir com o império espanhol que dominava o continente desde 1492. Roanoke é, até hoje, o desaparecimento coletivo mais discutido da história moderna: 115 homens, mulheres e crianças que evaporaram entre 1587 e 1590, deixando como única pista uma palavra rasgada na madeira.

Antes do Mistério: Duas Tentativas Frustradas

Antes da colônia desaparecida, houve outras duas. A primeira expedição, em 1584, comandada por Philip Amadas e Arthur Barlowe, foi de reconhecimento. Voltaram para Londres com dois nativos da tribo dos Algonquinos, Manteo e Wanchese, que aprenderiam inglês e serviriam de intérpretes. Os relatos animados convenceram Raleigh e a Rainha a financiar uma colônia militar.

Em 1585, 108 homens — quase todos soldados — chegaram à ilha sob comando de Ralph Lane. A ocupação foi um desastre. Lane irritou os nativos ao executar o cacique Wingina em 1586, supostamente por suspeita de conspiração. A população local, antes hospitaleira, retraiu apoio alimentar. Quando Sir Francis Drake apareceu na costa, voltando do Caribe, Lane abandonou Roanoke e voltou à Inglaterra. Apenas 15 homens ficaram para guardar o forte. Quando a próxima expedição chegou, em 1587, encontraram um único esqueleto humano. Os outros 14 haviam, presumivelmente, sido mortos por nativos.

A terceira tentativa, em 1587, foi diferente. John White, artista que já havia documentado a fauna, a flora e os povos da região em aquarelas hoje preservadas no Museu Britânico, liderou um grupo de civis: 91 homens, 17 mulheres e 11 crianças, incluindo sua filha grávida Eleanor Dare. Era um plano de povoamento, não de pilhagem. Em 18 de agosto de 1587, Eleanor deu à luz Virginia, a primeira criança inglesa nascida em solo americano. Nove dias depois, o desespero por suprimentos forçou White a embarcar de volta à Inglaterra para buscar reforços, deixando os colonos sob comando do conselho local.

Três Anos de Atraso

White chegou a Plymouth em novembro de 1587. Tudo o que precisava era recarregar mantimentos e voltar imediatamente. Mas a Inglaterra, em 1588, foi engolida pelo confronto naval com a Espanha. A Armada Invencível bloqueou os portos. Todo navio inglês foi requisitado pela Coroa para defesa militar. Por três anos seguidos, White tentou desesperadamente fretar embarcação. Em 1590, finalmente conseguiu carona em uma frota corsária comandada por John Watts, com a condição de não atrasar a missão de pirataria caribenha.

Quando a frota finalmente ancorou perto de Roanoke em 15 de agosto de 1590, três dias antes do aniversário de Virginia, White avistou fumaça subindo no horizonte. Ficou esperançoso: alguém estava acendendo fogo. Ao desembarcar, três dias depois, encontrou a colônia desativada. Casas tinham sido cuidadosamente desmontadas, baús enterrados e violados, peças de armaduras enferrujadas espalhadas. Mas nenhum corpo, nenhum vestígio de violência massiva. E o nome CROATOAN.

Croatoan era o nome de uma tribo amiga e também de uma ilha vizinha — hoje conhecida como Hatteras Island, parte das Outer Banks. Manteo, o intérprete, era da tribo Croatoan. Antes de partir, White havia combinado com os colonos: se decidissem se mudar, escreveriam o destino na paliçada. Se houvesse violência, gravariam uma cruz maltesa. Não havia cruz. Era, em tese, uma boa notícia.

Mas uma tempestade impediu White de navegar até Hatteras. O capitão do navio decidiu retornar à Inglaterra. White nunca mais voltou ao Novo Mundo. Morreu na Irlanda por volta de 1593, sem reencontrar a filha ou a neta. Seus diários, depositados no Museu Britânico, registram a frase mais comovente da literatura colonial inglesa: "Acreditei em meu coração que estavam seguros."

O Que Pode Ter Acontecido

A teoria mais aceita pela arqueologia moderna é a de assimilação cultural. Os colonos, abandonados sem suprimentos por três anos, teriam migrado para se juntar a tribos amigas — provavelmente os Croatoan em Hatteras Island, ou os Chowanoke no continente. Em 2012, pesquisadores do First Colony Foundation, examinando o famoso mapa de John White conservado no Museu Britânico, descobriram um símbolo escondido sob um adesivo de papel — um forte estilizado próximo à atual Bertie County, na confluência dos rios Chowan e Roanoke. Escavações no Site X, naquela região, lideradas por Nicholas Luccketti, encontraram fragmentos de cerâmica Border Ware inglesa do final do século XVI, telhas e itens claramente coloniais — possivelmente provando que parte dos colonos migrou para o interior.

Em paralelo, o arqueólogo Mark Horton, da Universidade de Bristol, escava desde 2009 na Ilha de Hatteras. Sua equipe encontrou em 2015 uma rapieira inglesa, restos de fogões coloniais, pedaços de cano de pistola wheel-lock, lousas educacionais e fragmentos de moedas Tudor. Tudo datável do período. As descobertas sugerem que ao menos parte dos colonos viveu integrada aos Croatoan por décadas.

Em 1701, o explorador inglês John Lawson visitou Hatteras e relatou no livro A New Voyage to Carolina ter encontrado nativos de olhos cinza-claros que afirmavam descender de "homens brancos que vieram com livros" e que ainda "adoravam o livro" como artefato sagrado. Vários cronistas posteriores descreveriam comunidades nativas com traços europeus na região da Carolina do Norte, alimentando a tese da assimilação.

Outras teorias persistem. Massacre por tribos hostis — defendido pelo capitão John Smith, de Jamestown, que em 1607 ouviu do chefe Powhatan que homens brancos haviam sido executados em massacre próximo ao rio Chesapeake. Doença epidêmica, especialmente catapora ou tifo, que já dizimara populações nativas. Tentativa de retorno à Inglaterra em pequenas embarcações, com naufrágio no mar. Cada hipótese tem partidários.

As Pedras de Dare

Em 1937, um turista chamado Louis Hammond, da Califórnia, encontrou uma pedra perto de Edenton, Carolina do Norte. Tinha inscrições em inglês arcaico atribuídas a Eleanor Dare, contando que o marido e a filha haviam morrido em 1591 e que os colonos haviam sido massacrados por nativos. Acadêmicos da Brenau University compraram entusiasticamente a pedra. Nos anos seguintes, dezenas de outras "pedras de Dare" surgiram milagrosamente, todas vendidas pelo mesmo escultor amador chamado Bill Eberhardt. Em 1941, o escândalo era óbvio: pelo menos 47 pedras foram declaradas falsificações grosseiras pela revista The Saturday Evening Post. A primeira pedra, contudo, segue sendo objeto de controvérsia: alguns pesquisadores, como o linguista Robert White da Universidade de Brenau, defenderam em 2016 que sua linguística é compatível com inglês isabelino genuíno.

Por Que o Caso Não Cala

Roanoke virou ícone cultural. Inspirou a temporada Roanoke, da série American Horror Story, em 2016, e dezenas de romances. A peça The Lost Colony, escrita por Paul Green em 1937, é encenada todo verão na própria ilha desde então — exceto durante a Segunda Guerra Mundial — sendo a peça ao ar livre mais antiga em cartaz nos EUA. O sítio do antigo forte é hoje o Fort Raleigh National Historic Site.

O fascínio é evidente: 115 pessoas — homens, mulheres, crianças, recém-nascidos — somem juntas em um continente quase desconhecido para os europeus, deixando como pista uma palavra. Não houve guerra anunciada. Não houve náufragos resgatados. Não houve cartas. Apenas CROATOAN.

Talvez tenham se misturado aos Croatoan e seus descendentes vivam até hoje, sem saber, em comunidades como os Lumbee, povo indígena reconhecido pelo estado da Carolina do Norte cujas tradições orais incluem ancestralidade europeia colonial. Talvez tenham morrido de fome no inverno gelado de 1588. Talvez John White tenha sido enganado pela própria filha, que decidiu que a Inglaterra não precisava saber de seu novo lar.

Eleanor Dare teria hoje 437 anos. Sua neta Virginia teria 438. Em algum lugar, sob a areia das Outer Banks ou sob as raízes de um carvalho da Carolina do Norte, talvez ainda repousem os ossos do primeiro mistério verdadeiramente americano. Você acha que algum dia descobriremos para onde foram?

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