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O Verdadeiro Culpado da Morte de Marilyn Monroe?

25 de abril de 20266 min de leitura
O Verdadeiro Culpado da Morte de Marilyn Monroe?

Por volta das 3h30 da madrugada de 5 de agosto de 1962, a governanta Eunice Murray caminhou pelo corredor da casa colonial espanhola na Quinta Helena Drive, em Brentwood, Los Angeles. A luz do quarto principal estava acesa. A porta, trancada por dentro — algo que Marilyn Monroe nunca fazia. Murray bateu. Sem resposta. Caminhou até o jardim, espiou pela janela. Viu a atriz de 36 anos deitada de bruços na cama, o telefone caído na mão, o corpo imóvel. O psiquiatra Dr. Ralph Greenson chegou minutos depois, quebrou a janela, entrou. Marilyn estava morta havia horas. A causa oficial: "intoxicação aguda por barbitúricos, provavelmente suicídio".

Mais de seis décadas depois, a morte de Norma Jeane Mortenson — nascida em 1º de junho de 1926 em Los Angeles — continua sendo uma das mais investigadas, contestadas e exploradas da história moderna. O laudo do médico-legista Theodore Curphey, do condado de Los Angeles, encontrou no sangue da atriz 8 mg% de hidrato de cloral e 4,5 mg% de pentobarbital — doses claramente letais. Mas a forma como esses medicamentos chegaram ao organismo de Marilyn, e em que circunstâncias, é o que alimenta as teorias até hoje.

Os Últimos Dias de Norma Jeane

O verão de 1962 não foi gentil com a estrela. Em 8 de junho, a 20th Century Fox a havia demitido das filmagens de Something's Got to Give, sob alegação de absenteísmo crônico. A produção dirigida por George Cukor estava 14 dias atrasada por suas faltas. Marilyn enfrentava insônia severa, dependência de barbitúricos prescritos por seus dois médicos — Greenson, o psiquiatra, e Dr. Hyman Engelberg, o clínico geral — e um divórcio recente do dramaturgo Arthur Miller.

Naquela mesma temporada, ocorrera o famoso aniversário de John F. Kennedy no Madison Square Garden, em 19 de maio, quando Marilyn cantou Happy Birthday, Mr. President em um vestido nude bordado com 2.500 cristais Swarovski. O figurino, criado por Jean Louis, custou 12 mil dólares — o equivalente hoje a mais de 120 mil. A apresentação consolidou os boatos de relacionamento entre a atriz e o presidente. Pesquisas do biógrafo Donald Spoto, autor de Marilyn Monroe: The Biography (1993), confirmam ao menos quatro encontros íntimos entre os dois — o primeiro em outubro de 1961, em Palm Springs, na casa de Bing Crosby, e nunca em hotéis de Washington como o folclore sugere.

O biógrafo também documenta que, no início de agosto, Marilyn telefonou ao Procurador-Geral Robert F. Kennedy, irmão do presidente, possivelmente para tentar reaproximação. Robert visitou Los Angeles em 4 de agosto, segundo registros do FBI desclassificados em 1985, hospedando-se na casa do ator Peter Lawford, em Santa Monica. Lawford era casado com a irmã dos Kennedys, Patricia. Esses dois fatos — a chamada e a presença do procurador na cidade — formam o eixo das teorias conspiratórias mais persistentes.

A Cronologia Que Não Fecha

Os relatos sobre a noite de 4 para 5 de agosto contradizem-se de modo desconcertante. Eunice Murray afirmou inicialmente que descobriu o corpo por volta das 3h da manhã. Décadas depois, em entrevista a Anthony Summers para o livro Goddess (1985), recuou: a descoberta teria ocorrido por volta da meia-noite, e três horas se passaram antes que a polícia fosse chamada. Murray confessou ter "feito coisas das quais não se orgulha".

O sargento Jack Clemmons, primeiro policial a chegar à cena, declarou décadas depois ao escritor Donald Wolfe que o quarto havia sido evidentemente "limpo". A cama estava arrumada. Não havia copo de água, embora Marilyn supostamente tivesse engolido entre 40 e 60 cápsulas de Nembutal e Cloral Hydrate. Análise do conteúdo estomacal feita pelo legista assistente Thomas Noguchi não encontrou resíduos das cápsulas — apenas cerca de 20 ml de líquido escuro. Em livro publicado em 1983, Coroner, Noguchi escreveu que esperaria encontrar partículas amareladas dos pellets de pentobarbital. "Não havia nada", reconheceu.

A ausência de resíduos abriu uma porta inteira para a teoria do enema fatal: doses letais administradas por via retal, talvez sem o conhecimento da vítima. Greenson admitiu décadas depois que aplicava enemas de hidrato de cloral em Marilyn como técnica de relaxamento — prática terapêutica controversa mesmo nos anos 1960.

Outro detalhe estranho: o ambulanceiro Ken Hunter, da Schaefer Ambulance Service, declarou em 1982 que sua equipe transportou Marilyn ainda viva, em coma, para o Santa Monica Hospital antes da meia-noite. Ela teria morrido a caminho do hospital ou logo na chegada — e o corpo, então, foi devolvido à casa para preservar a aparência de morte natural. Não há registros do hospital que confirmem essa versão; tampouco há registros que a refutem com precisão.

As Teorias Persistentes

A teoria mais discutida envolve os irmãos Kennedy. Segundo Frank Capell, autor de The Strange Death of Marilyn Monroe (1964), e mais tarde Norman Mailer, em Marilyn: A Biography (1973), Marilyn ameaçaria revelar publicamente os relacionamentos com o presidente e o procurador-geral. Sua morte teria sido orquestrada por agentes ligados à CIA ou à Máfia para silenciá-la. O biógrafo Anthony Summers descobriu, no FBI, registros das chamadas telefônicas de Marilyn entre 1º e 4 de agosto. As linhas para a Casa Branca e o Departamento de Justiça estavam, suspeitamente, ausentes — embora outros documentos as confirmem.

A tese da máfia, defendida por Jeanne Carmen, amiga próxima de Marilyn, aponta o nome de Sam Giancana, chefe da Cosa Nostra de Chicago, como mandante. Giancana, segundo gravações do FBI declassificadas em 1986, queria desestabilizar Robert Kennedy, que vinha promovendo investigações contra o crime organizado. Matar Marilyn em circunstâncias suspeitas seria armar uma bomba reputacional.

A versão oficial, sustentada pelo investigador John Miner, vice-procurador do condado em 1962 e único leigo presente à autópsia, considerava que Marilyn cometeu suicídio acidental. Miner, no entanto, mudou de ideia décadas depois. Em entrevista ao Los Angeles Times em 2005, revelou que o psiquiatra Greenson havia gravado fitas em que Marilyn falava de planos para o futuro — comprar casa em Brentwood (que ela já comprara), reconciliar-se com Joe DiMaggio (estavam de fato remarcando o casamento), produzir filmes próprios. "Ela não tinha intenção de se matar", afirmou Miner. As fitas, ele alegou, foram destruídas por Greenson para proteger o sigilo médico.

O FBI manteve um arquivo sobre Marilyn de 1955 até sua morte. Documentos liberados em 2012 sob a Lei de Liberdade de Informação revelam que o diretor J. Edgar Hoover acompanhava de perto seus relacionamentos políticos. A pasta original tinha 132 páginas; muitas continuam parcialmente censuradas até hoje.

Por Que Ainda Falamos Disso?

Marilyn Monroe morreu há mais de 60 anos, mas se mantém entre as celebridades mais lucrativas do mundo: a Authentic Brands Group, dona dos direitos de imagem, fatura mais de 8 milhões de dólares anuais em sua marca. Sua morte alimenta documentários a cada poucos anos: The Mystery of Marilyn Monroe: The Unheard Tapes, da Netflix em 2022, vasculhou os áudios das entrevistas feitas por Anthony Summers nos anos 1980 e trouxe novas vozes — entre elas a de John Bates, que jurou ter visto Robert Kennedy passar o final de semana em sua fazenda em Gilroy, Califórnia, e não em Los Angeles, contradizendo testemunhas opostas.

O caso obriga cada geração a confrontar uma verdade desconfortável: o sistema de proteção que o estrelato de Hollywood deveria oferecer falhou catastroficamente. Marilyn estava cercada por médicos, governanta, advogados, agentes, ex-maridos atentos. Ainda assim, morreu sozinha, com o telefone na mão, na própria cama. Quem ela tentava chamar nas últimas horas?

Os registros telefônicos da General Telephone Company, requisitados pela polícia, sumiram do protocolo logo após o caso. Décadas depois, surgiu a hipótese de que mostravam chamadas para a casa de Peter Lawford. Ou para o Departamento de Justiça. Ou para nenhum dos dois.

Talvez Marilyn tenha mesmo se matado, exausta de uma vida em que era objeto antes de pessoa. Talvez alguém a tenha matado porque sabia demais. Talvez tenha sido um acidente burocrático: uma dose dupla de remédios prescritos por dois médicos que não se falavam. O cofre dos Kennedy guarda silêncio. A casa de Brentwood, número 12305, ainda existe — comprada e quase demolida em 2023, foi salva por proteção patrimonial. Quem você acha que apagou as luzes na noite de 4 de agosto de 1962?

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