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Experimentos Científicos Proibidos do Século XX

25 de abril de 20265 min de leitura
Experimentos Científicos Proibidos do Século XX

Na manhã de 13 de novembro de 1953, o bioquímico Frank Olson caiu da janela do décimo andar do Hotel Statler, na Sétima Avenida de Nova York. Tinha 43 anos, esposa e três filhos. A polícia registrou suicídio. Vinte e dois anos depois, em 1975, a Comissão Rockefeller revelou que Olson havia sido dosado clandestinamente com LSD nove dias antes da queda — durante uma reunião de trabalho da CIA em Deep Creek Lake, Maryland. A operação tinha um nome: MK-Ultra.

O século XX produziu medicina capaz de curar a poliomielite e a cirurgia cardíaca aberta. Produziu também laboratórios em que seres humanos foram tratados como cobaias descartáveis em nome da ciência, da segurança nacional ou da pura curiosidade ideológica. As histórias a seguir não são lendas urbanas. São registros documentados, com vítimas com nome, sobrenome e número de processo.

MK-Ultra: a CIA, o LSD e o controle da mente

Aprovado em 13 de abril de 1953 pelo então diretor da CIA Allen Dulles, o programa MK-Ultra durou até 1973 e envolveu 149 subprojetos espalhados por 80 instituições, incluindo 44 universidades, 15 empresas farmacêuticas, 12 hospitais e três presídios. O objetivo declarado: descobrir métodos de manipulação mental que pudessem ser usados em interrogatórios da Guerra Fria.

O químico responsável, Sidney Gottlieb, distribuía LSD em coquetéis de festas, em prostíbulos vigiados (a chamada Operation Midnight Climax, em San Francisco) e em hospitais psiquiátricos. No Allan Memorial Institute, em Montreal, o psiquiatra Donald Ewen Cameron submeteu pacientes a meses de coma induzido, eletrochoques diários e fitas com mensagens repetidas em loop por até 16 horas seguidas — uma técnica que ele chamava de psychic driving. Quando o programa foi exposto, em 1977, o diretor da CIA Richard Helms já havia ordenado a destruição de praticamente todos os arquivos. Sobreviveram cerca de 20 mil documentos por terem sido arquivados na divisão financeira errada.

Tuskegee: 40 anos sem tratamento

De 1932 a 1972, o Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos conduziu, em parceria com o Tuskegee Institute do Alabama, um estudo intitulado "Estudo Tuskegee da Sífilis Não Tratada no Negro Macho". Foram recrutados 600 homens negros pobres, na maioria meeiros analfabetos, dos quais 399 já tinham sífilis latente. Os pesquisadores prometeram tratamento gratuito para o que chamaram vagamente de "sangue ruim".

Nunca houve tratamento. Quando a penicilina se tornou padrão para sífilis em 1947, os médicos do estudo deliberadamente impediram que os participantes tivessem acesso ao antibiótico. O objetivo era observar a progressão natural da doença até a autópsia. O escândalo só veio à tona quando o jornalista Jean Heller, da Associated Press, publicou a história em 25 de julho de 1972. Naquela altura, 28 homens haviam morrido diretamente de sífilis, 100 de complicações relacionadas, 40 esposas haviam sido infectadas e 19 crianças nasceram com sífilis congênita. O presidente Bill Clinton só pediu desculpas oficiais em 16 de maio de 1997, na Casa Branca, na presença de cinco sobreviventes.

Stanford, Milgram e o experimento que saiu de controle

No verão de 1971, o psicólogo Philip Zimbardo transformou o porão do prédio de psicologia da Universidade de Stanford numa prisão simulada. Vinte e quatro estudantes universitários, todos do sexo masculino, foram divididos aleatoriamente entre guardas e prisioneiros. O experimento, financiado pela Marinha americana para entender conflitos em ambientes correcionais, deveria durar duas semanas.

Foi interrompido no sexto dia. Os "guardas" começaram a humilhar os "prisioneiros" em poucas horas — obrigando-os a fazer flexões, dormir nus no chão concreto, urinar em baldes nas próprias celas. O prisioneiro 8612 teve um colapso emocional na primeira noite. Foi a noiva de Zimbardo, a pesquisadora Christina Maslach, que ao visitar o local na quinta noite, declarou: "Você sabe o que está fazendo com aqueles meninos?". Décadas depois, transcrições reveladas em 2018 por Ben Blum mostraram que Zimbardo coachou ativamente os guardas a serem brutais, contradizendo o relato oficial de comportamento espontâneo.

Uma década antes, em 1961, em Yale, Stanley Milgram demonstrara algo igualmente perturbador. Voluntários comuns aplicavam choques elétricos crescentes, até supostos 450 volts, em uma vítima invisível, simplesmente porque um pesquisador de jaleco mandava continuar. Sessenta e cinco por cento foram até o fim. Milgram conduziu o experimento meses depois do início do julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém. Sua conclusão foi direta: a obediência à autoridade dispensa monstros.

Unidade 731: o horror que ficou impune

Em Pingfang, distrito ao sul de Harbin, na Manchúria ocupada pelo Japão, funcionou entre 1936 e 1945 a Unidade 731 do Exército Imperial Japonês. Comandada pelo médico Shiro Ishii, a instalação realizou vivissecções sem anestesia, infecções deliberadas com peste bubônica, cólera e antraz, congelamento de membros até a necrose, exposição a pressão atmosférica até a explosão de órgãos internos. As vítimas — chamadas internamente de maruta, ou "toras de madeira" — somaram pelo menos 3.000 mortes diretas. Estimativas conservadoras de mortes causadas por bombardeios biológicos lançados sobre vilas chinesas chegam a 200.000.

Quando o Japão se rendeu em 1945, Ishii destruiu as instalações com explosivos e ordenou o extermínio dos prisioneiros restantes. Negociou então com o general Douglas MacArthur imunidade total para si e para sua equipe em troca dos dados experimentais. Os Estados Unidos aceitaram. Nenhum membro da Unidade 731 foi julgado em Tóquio. Ishii morreu de câncer de garganta em 1959, livre, em Tóquio. Os arquivos foram parar em Fort Detrick, Maryland — sede do programa de armas biológicas americano.

O legado: Nuremberg, Helsinki e a ilusão da segurança

O Código de Nuremberg, redigido em agosto de 1947 após o julgamento dos médicos nazistas, estabeleceu o consentimento informado como princípio absoluto da pesquisa em humanos. A Declaração de Helsinki, da Associação Médica Mundial em 1964, ampliou as proteções. Comitês de ética hospitalares (IRBs nos EUA, CEPs no Brasil) tornaram-se obrigatórios.

E ainda assim. Em 2010, pesquisadores do Wellesley College descobriram que entre 1946 e 1948 médicos americanos infectaram deliberadamente 1.300 guatemaltecos — presos, soldados, doentes mentais — com sífilis e gonorreia, sem nenhum consentimento. O presidente Barack Obama pediu desculpas formais ao governo da Guatemala. Em 2018, vieram à tona experimentos em órfãos com HIV em Nova York, conduzidos sem autorização entre 1988 e 2002.

Os escândalos do século XX produziram regulamentação, mas não imunizaram a ciência contra si mesma. Cada vez que uma nova fronteira se abre — engenharia genética, neurociência, inteligência artificial, edição CRISPR em embriões humanos como fez o chinês He Jiankui em 2018 — alguém calcula que vale a pena cruzar a linha. As vítimas continuam tendo nome, sobrenome e, eventualmente, processo. O que muda é a paciência da história em descobri-las.

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