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D.B. Cooper: O Sequestrador Que Desapareceu na Floresta

25 de abril de 20266 min de leitura
D.B. Cooper: O Sequestrador Que Desapareceu na Floresta

Eram 20h13 da véspera do Dia de Ação de Graças, 24 de novembro de 1971, quando a porta traseira do Boeing 727 da Northwest Orient Airlines se abriu a 3.000 metros de altitude sobre a serra de Cascade, no estado de Washington. Os pilotos, trancados na cabine sob ordens, sentiram a pressurização cair. O avião, que havia decolado de Seattle rumo a Reno apenas 38 minutos antes, registrou um leve solavanco — provavelmente o momento em que um homem de terno escuro, gravata preta e óculos escuros saltou no escuro, sob chuva, com US$ 200 mil em notas de 20 dólares amarrados ao corpo. Esse homem nunca foi visto novamente.

O caso ficou conhecido pela alcunha incorreta de D.B. Cooper, fruto de uma confusão de um repórter da United Press International. O sequestrador havia comprado a passagem com o nome Dan Cooper. Um jornalista chamado James Long, ao apurar o caso na delegacia, anotou erradamente as iniciais — e o erro grudou. O FBI batizou a investigação de NORJAK (Northwest Hijacking) e a manteve aberta por 45 anos. Em julho de 2016, o caso foi oficialmente arquivado sem solução, tornando-se o único sequestro aéreo não resolvido da história dos Estados Unidos.

O Voo 305

O homem que se identificou como Dan Cooper aparentava ter entre 40 e 50 anos. Era branco, de pele azeitonada, 1,80 metro de altura, cabelos escuros penteados para trás. Sentou-se na poltrona 18C, no fundo do avião. Pediu um bourbon com soda, pagou em dinheiro. Logo após a decolagem, entregou um bilhete dobrado à comissária Florence Schaffner, então com 23 anos. Ela achou que fosse um cantada e enfiou o papel na bolsa sem ler.

"Senhorita, é melhor você dar uma olhada nesse bilhete", insistiu o passageiro, calmo. "Eu tenho uma bomba." Schaffner abriu a maleta que ele segurava no colo. Viu fios vermelhos, oito cilindros vermelhos amarrados juntos e uma bateria grande. As exigências, ditadas por Cooper enquanto ela tomava nota, foram precisas: 200 mil dólares em notas usadas e não rastreáveis de 20 dólares, quatro paraquedas (dois principais e dois reservas) e um caminhão de combustível esperando em Seattle.

O comandante William Scott sobrevoou Seattle por duas horas enquanto a polícia reunia o resgate. O FBI fotografou cada nota — todas com números de série começando por L, indicando emissão pelo Federal Reserve Bank de São Francisco. Às 17h24, o avião pousou em Seattle-Tacoma. Cooper trocou os 36 passageiros pelo dinheiro e pelos paraquedas. Manteve a tripulação a bordo. Ordenou nova decolagem em direção à Cidade do México, com instruções incomuns: voar abaixo de 3.000 metros, com flaps a 15 graus, trem de pouso baixado, velocidade máxima de 200 nós, e — crucial — com a porta traseira aberta.

Esses parâmetros mostram, segundo a análise do FBI, conhecimento aeronáutico avançado. O Boeing 727 era uma das poucas aeronaves comerciais com escada traseira operável em voo, instalada sob a cauda. Apenas alguém familiarizado com o modelo saberia disso. Por volta das 20h, a luz vermelha indicando "escada destrancada" acendeu na cabine. O avião sofreu uma pequena oscilação. Cooper havia desaparecido.

A Caça ao Homem

O FBI mobilizou a maior caçada humana da história do Pacífico Noroeste. Centenas de agentes, soldados da Força Aérea, helicópteros, submarinos da Marinha — tudo varrendo as florestas densas de Washington e o Rio Columbia. Nada. Nenhum corpo, nenhum paraquedas, nenhum saco de dinheiro. Cooper, com sua roupa de escritório e mocassins de cidade, simplesmente sumiu na noite molhada.

Em fevereiro de 1980, oito anos depois, um menino de 8 anos chamado Brian Ingram escavava areia em uma praia chamada Tena Bar, à beira do Rio Columbia, perto de Vancouver, Washington. Encontrou três maços decompostos de notas de 20 dólares, totalizando US$ 5.880. Os números de série confirmaram: era parte exata do dinheiro de Cooper. Mas como aquele dinheiro chegou ali, em uma praia distante da rota de salto calculada pelo FBI, ninguém soube responder. As notas estavam empilhadas, ainda com elásticos, o que sugere que não passaram décadas no rio. Geólogos consultados em 1986 sugeriram dragagens fluviais como vetor possível, mas o problema continua em aberto.

O FBI montou um perfil composto. A figura desenhada pelos cartunistas — homem de meia-idade, queixo quadrado, óculos escuros, cigarro Raleigh nos dedos — virou ícone pop. Camisetas, livros, filmes (incluindo The Pursuit of D.B. Cooper, de 1981) e até um festival anual em Ariel, Washington, mantêm a lenda viva.

Os Suspeitos

Mais de 800 nomes passaram pela investigação. Nenhum nunca foi confirmado. Os principais suspeitos formam uma galeria fascinante.

Richard McCoy Jr., ex-Boina Verde do Vietnã e paraquedista experiente, sequestrou um Boeing 727 da United Airlines em abril de 1972 — apenas cinco meses depois — usando o mesmo modus operandi de Cooper. Saltou com US$ 500 mil. Foi preso dois dias depois. Morreu em 1974 ao tentar fugir da prisão. Agentes do FBI defendem até hoje que ele era Cooper, embora seus traços físicos não batessem perfeitamente.

Kenneth Christiansen, ex-paraquedista do Exército que trabalhou por décadas na Northwest Orient — a mesma companhia sequestrada — foi denunciado por seu próprio irmão Lyle em 2003. Christiansen morreu em 1994 e, em seu leito de morte, teria dito ao irmão: "Há algo que você precisa saber, mas não posso te contar." Tinha dinheiro inexplicável e, curiosamente, um exemplar antigo da história em quadrinhos belga Dan Cooper, que conta as aventuras de um piloto canadense.

Em 2011, Marla Cooper, do Oklahoma, alegou que o sequestrador era seu tio L.D. Cooper, que havia voltado para casa no dia seguinte ao crime ferido e com dinheiro. O FBI testou DNA encontrado na gravata abandonada por Cooper no avião — uma gravata clip-on da marca J.C. Penney, com micropartículas de titânio raras. Resultado: inconclusivo, embora a equipe forense de Tom Kaye, em 2017, tenha encontrado nos vestígios da gravata sinais de manipulação industrial sofisticada, sugerindo que Cooper trabalhava na indústria aeroespacial — possivelmente na Boeing ou em fornecedores como a SP-2 Aerojet.

Por Que o Mito Sobrevive

D.B. Cooper se tornou, contra todas as expectativas, um anti-herói popular. Fez seu crime sem ferir ninguém, devolveu os passageiros, foi educado com a tripulação. Tom Colbert, jornalista que liderou uma investigação privada por uma década, sugeriu em 2018 que Cooper era um veterano militar chamado Robert Rackstraw. O FBI rejeitou a tese. Rackstraw morreu em 2019 sem confessar nada.

O salto, do ponto de vista físico, era quase suicida. Temperatura abaixo de zero, vento de 150 nós, chuva, escuridão total, terreno coberto de florestas íngremes. Especialistas como Earl Cossey, instrutor que treinou mil paraquedistas e analisou os equipamentos usados por Cooper, afirmaram: "Ninguém com bom senso saltaria daquele avião naquelas condições." Cooper escolheu, dos quatro paraquedas, justamente um modelo de treinamento — costurado fechado, inutilizável.

Saltou ele mesmo para a morte? Ou conhecia tão bem a aeronave e a região que pousou são e salvo, sumindo com 195 mil dólares restantes (em valores de 2026, cerca de 1,5 milhão)? Em algum lugar das florestas de Washington, talvez sob a serapilheira ou no leito de algum rio afluente do Columbia, esqueletos com terno escuro podem estar esperando para ser encontrados. Ou talvez D.B. Cooper tenha vivido até envelhecer, lendo notícias sobre si mesmo em silêncio. Quem você acha?

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